História - Laranjeiras/SE

 
 

HISTÓRIA DE LARANJEIRAS - SERGIPE

Região - Leste de Sergipe
Distância de Aracaju - 18 km
População - Contagem da População ( 26.902 ) FONTE IGBE 2010
Área da unidade territorial (Km²) 162,279
Atividades econômicas - Agricultura e turismo
Laranjeiras: a Atenas sergipana
Gentílico - Laranjeirense

Este município já foi o mais importante do Estado, tem inúmeros filhos ilustres e quase foi capital

O município de Laranjeiras, a 18 quilômetros de Aracaju, é um dos poucos onde ainda se pode ver a força da arquitetura colonial. Ruas, casarios, igrejas, tudo respira a mais pura história. Laranjeiras já foi a mais importante cidade sergipana. Berço da cultura, educação, política e da economia. Este município só não se tornou a capital de Sergipe por conta de uma manobra política do Barão de Maruim, que transferiu a sede de São Cristóvão para Aracaju.

Depois que as tropas de Cristóvão de Barros arrasaram com as nações indígenas, por volta de 1530, muitos ‘colonos’ acabaram se fixando às margens do Rio Cotinguiba. Essas terras pertenciam à Freguesia de Socorro. Naquela região, mais ou menos uma légua da sede, foi construído um pequeno porto e, por conta das inúmeras e frondosas laranjeiras à beira do rio, moradores e viajantes começaram a identificar o local como porto das laranjeiras.

A movimentação pelo Rio Cotinguiba era intenso e, logo, o porto passou a ser parada obrigatória. Em torno dele o comércio ganhava espaço, principalmente a troca de escravos, e as primeiras residências eram construídas. Mas a partir de 1637, o pequeno povoado das Laranjeiras também sofreu com os ataques e depois com o domínio holandês. Muitas casas foram destruídas, mas o porto, um ponto estratégico, foi preservado. Só por volta de 1645 os holandeses deixam Sergipe.

RUMO AO PROGRESSO

O porto das Laranjeiras fez retornar o progresso ao povoado que se reerguia com grande velocidade depois da passagem dos holandeses. Em 1701, os padres jesuítas construíram a primeira igreja com convento. Ela ficava à margem esquerda do Riacho São Pedro, um pouco afastada do porto. Eles procuravam sossego e deram nome ao lugar de ‘Retiro’. Os jesuítas fizeram uma outra igreja num dos pontos mais altos do povoado. Em 1731, em cima de uma colina, os padres ordenaram a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, uma verdadeira obra-prima da arquitetura colonial.

Por conta da cana-de-açúcar, do coco, do gado, do comércio e, principalmente do porto, o povoado das Laranjeiras tinha conseguido um nível extraordinário de desenvolvimento. Até os moradores da sede da freguesia de Socorro, a quem Laranjeiras pertencia, semanalmente iam fazer feira nas Laranjeiras. Só em 7 de agosto de 1832, em decorrência da grande influência política dos proprietários de terras e comerciantes, a Assembléia Geral da Província toma uma decisão polêmica. Transforma o povoado em vila independente. E em vez de desmembrá-la da freguesia de Socorro, os deputados anexaram o território de Nossa Senhora do Socorro ao de Vila de Laranjeiras.

Os socorrenses tentaram de todas as formas reagir, e em 19 de fevereiro de 1835, Socorro é transformado em vila, sendo suas terras desmembradas das de Laranjeiras, que foi reduzida à Freguesia do Sagrado Coração de Jesus das Laranjeiras. No entanto, esse retrocesso não impediu que o progresso avançasse e é justamente nesse momento que Laranjeiras começa a atingir seu mais alto grau de desenvolvimento. Em 6 de fevereiro daquele ano é transformado em Distrito de Paz, e em 11 de agosto de 1841 Laranjeiras passa a ser sede de comarca. O primeiro juiz foi Manoel Felipe Monteiro.

A FORTE ECONOMIA

Em 1836 foi criada em Laranjeiras a primeira Alfândega de Sergipe. Praticamente todos os produtos produzidos em Sergipe eram exportados por lá, maior centro do Estado. Mas Laranjeiras tinha na indústria açucareira a sua principal fonte de renda. Apesar de pequeno territorialmente, o município chegou a ser o maior produtor de açúcar cristal de Sergipe. Eram centenas de engenhos e depois usinas. Os primeiros foram Dira, Ibura, Camassary e Comandaroba. Nas décadas de 30, 40 e 50 se destacavam três grandes usinas: a da Varzinha, a São José Pinheiro e a Sergipe. A grandiosidade das três pode ser vista na produção. Dos 61 milhões de cruzeiros conseguidos em Laranjeiras, em 1956, somente as três foram responsáveis por 41 milhões de cruzeiros.

Além da cana, Laranjeiras sempre teve uma boa produção de coco e mandioca. No campo da pecuária, o município chegou a ter um rebanho estimado em 11 mil cabeças de gado. Por conta disso, Laranjeiras tinha boas casas comerciais, algumas delas movimentando anualmente mais de 2 milhões de cruzeiros. Na sede do município existiam postos bancários de agências de Aracaju e uma Agência da Caixa Econômica Federal.

Em 1854 foi inaugurada a iluminação pública com a instalação de 32 lampiões. Em 1880, Laranjeiras já possuía uma Estação do Telégrafo Nacional. Em 1859 teve início a navegação a vapor entre Aracaju, Maruim e Laranjeiras, e em 1860 Laranjeiras recebeu a visita do imperador Dom Pedro II e da imperatriz Tereza Cristina, além de uma grande comitiva. Na noite de 14 de janeiro daquele ano, eles foram aclamados nas ruas da cidade. O imperador visitou escolas, a Câmara de Vereadores, o Paço Municipal, assistiu à missa e participou de saraus e banquetes.

BERÇO DA CULTURA

O florescimento econômico atraiu para Laranjeiras comerciantes, médicos, advogados, professores e outros intelectuais. O município teve uma forte imprensa. Geralmente ligados a partidos, associações culturais e à igreja, os jornais retratavam a vida na sede e defendia suas bandeiras. Os maiores exemplos são o “Monarchista Constitucional”, o “Triunfo”, seguido de o “Guarany”, o “Observador”, O Telégrafo” e a “Voz da Razão”. Laranjeiras foi, sem dúvida alguma, de 1841 a 1851 o maior centro cultural e artístico de Sergipe. É chamada a Atenas sergipana. E é em 4 de maio de 1948 que Laranjeiras passa efetivamente à categoria de cidade.

Laranjeiras tem uma série de belos e históricos monumentos, como as igrejas do Retiro de 1701; de Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, de 1734; de Nossa Senhora da Conceição dos Pardos, de 1843; a Igreja Presbiteriana de Sergipe, de 1884; a Igreja do Bonfim; Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus, de 1791; a capela de Sant’aninha, de 1875; Igreja Bom Jesus dos Navegantes, de 1905; Igreja de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário; Igreja Jesus, Maria e José, de 1769; além do Museu de Arte Sacra, Trapiche, Museu Afro, Casa de Cultura João Ribeiro, Escola Zizinha Guimarães, Teatro Santo Antônio e Teatro São Pedro, Mercado Municipal, Ponte Nova, Paço Municipal, Cine-Teatro Íris, Gruta da Pedra Furada, Gruta Matriana, entre outros.

Vale ressaltar ainda que Laranjeiras é referência no folclore. Seus folguedos estão entre os mais importantes do Brasil, como o Reisado, Guerreiros, Lambe-Sujos e Caboclinhos, Cacumbi, Taieira, Samba de Parelha, São

Gonçalo, Batalhão 1º de São João, Chegança Almirante Tamandaré e os Penitentes.


:: Reisado: forte manifestação folclórica ::

Escravidão e República

Estando no coração do Vale do Cotinguiba, Laranjeiras foi palco de tensões sociais e raciais. Duas grandes revoltas urbanas de escravos negros e mulatos livres foram registradas em 1835 e 1837. Os escravos fugitivos organizavam-se em mocambos e quilombos nas matas dos próprios engenhos. Os mais famosos líderes negros foram João Mulungu, Laureano, Dionísio e Saturnino. Para recuperar seus escravos, muito senhores chegavam a colocar anúncios nos jornais. O grande ano de fugas de escravos foi 1867. Ficam célebres alguns atos, como o enforcamento dos escravos Crispim e Malaquias, que eram acusados de assassinar seus senhores brancos; a fuga do escravo João Mulungu do Engenho Flor da Roda em 1868, sendo que muito tempo depois foi capturado e enforcado. Mas as ações cruéis dos senhores com os escravos provocou protestos da população até a chegada da ‘abolição’.

Quanto à República, o início da propaganda republicada em Sergipe aconteceu oficialmente na Vila de Laranjeiras, em 1888, através da publicação do Manifesto de 18 de outubro de 1888, no ‘Laranjeirense’. Meses depois era fundado o Clube Republicano Laranjeirense, que mais tarde se transformou em Partido Republicano. Faziam parte Felisbello Freire, Balthazar Góis, Sílvio Romero, entre outros. Eles chagaram a ter um jornal, o ‘Republicano’.

Com a Proclamação da República, os republicanos laranjeirenses fizeram passeatas pelas ruas da cidade. Meses depois, Felisbello Freire é nomeado pelo marechal Deodoro da Fonseca como o primeiro governador de Sergipe na República. O primeiro intendente de Laranjeiras foi Marcolino Ezequiel de Jesus, que governou o município de 1893 a 1895.

Algumas personalidades

O município de Laranjeiras tem uma infinidade de filhos ilustres e personalidades que marcaram a história da cidade, de Sergipe e do Brasil. A seguir, só algumas:

João Ribeiro - Nasceu em Laranjeiras em junho de 1860. Foi um dos maiores intelectuais brasileiros do final do século XIX. Foi membro da Academia Brasileira de Letras e o primeiro sergipano eleito imortal na Academia Sergipana de Letras. Foi poeta, filólogo, tradutor, poliglota, historiador, gramático, romancista, jornalista, crítico literário, professor, folclorista, músico e pintor. Depois de passar pelo Colégio Atheneu em Aracaju formou-se em Direito no Rio de Janeiro.
Horácio Hora - Nasceu em Laranjeiras em setembro de 1853. Foi um gênio da pintura. Por falta de escolas de qualidade nessa arte, foi para a Europa, sendo que seus estudos foram custeados pela Assembléia Legislativa da Província. Foi aluno da Escola de Belas Artes de Paris e lá ganhou vários prêmios. Retornou a Sergipe e pouco tempo depois voltou à França, onde morreu. Suas obras de maior destaque são “Cecy e Pery”, “A Virgem”, “Miséria e Caridade”, Folhas de Outono”, entre outras.
Martinho César da Silveira Garcez - Foi deputado provincial por Sergipe, chegou a ser presidente do Estado e depois senador. Foi jornalista, advogado, professor de Direito no Rio de Janeiro.
General Moreira Guimarães - Foi o oficial destacado pelo Governo brasileiro em várias missões no estrangeiro. Foi membro de inúmeras instituições científicas e culturais, sendo também jornalista e correspondente internacional de muitos jornais brasileiros.
Zizinha Guimarães - Nasceu em Laranjeiras, em dezembro de 1872. Foi nomeada professora pública em 1896. Em julho de 1904, fundou a Escola Laranjeirense. Aprendeu música e tocou no órgão da matriz. Dominou o português, aritmética, geografia, história, francês, esperanto e fez teatro.
Outros - Carmelita Fontes, João Sapateiro, Antônio Gomes de Andrade, cônego Philadelfo Jonathas, Augusto do Prado Franco, Umbelina Araújo, dona Lalinha, Emanuel Franco, entre muitos outros.

Fonte: "Laranjeiras: sua história, sua cultura e sua gente", de Zilná dos Santos, professores da rede municipal e Enciclopédia dos Municípios Brasileiros.

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