História de São Cristóvão/SE


HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE SÃO CRISTÓVÃO - SERGIPE
Região: Sudoeste
Distância da capital: 25 km
População: 78.864 Contagem da População 2010
Atividades Econômicas: Agricultura (banana, laranja, mamão e feijão), Pecuária (bovinos e piscicultura)
Área da unidade territorial: 436.861 km²
Gentílico - São-Cristóvense


São Cristóvão, a primeira capital de Sergipe
Fundada por Cristóvão de Barros, a quarta cidade mais antiga do Brasil foi palco de várias batalhas.
São Cristóvão, cidade a 25 quilômetros da capital, foi fundada por Cristóvão de Barros, que chegou na r egião em 1589 com o objetivo de conquistar o território sergipano. Em 1º de janeiro de 1590, o conquistador venceu uma batalha contra piratas franceses, construiu um forte e fundou uma povoação com o nome de São Cristóvão, que depois seria a primeira capital do Estado de Sergipe.

De acordo com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, a cidade sofreu sucessivas mudanças até firmar-se no local atual, à margem do Rio Paramopama, afluente do Vaza-Barris. “A primeira transferência deu-se entre 1595 e 1596, por motivo de segurança contra possíveis ataques dos franceses, que buscavam reconquistar o território do qual foram banidos. E, como conheciam o Cotinguiba, poderiam penetrar e surpreender a povoação num ataque fulminante”, diz a Enciclopédia.

O novo local escolhido foi uma elevação que ficava próxima à barra do Rio Poxim. A maioria dos historiadores acredita que a segunda mudança de São Cristóvão aconteceu antes de 1607. Não se sabe, também, a causa da nova transferência, que desta vez foi para bem distante, às margens do Paramopama. Depois que estabeleceu as bases da capitania, Cristóvão de Barros regressou para a Bahia em 1591, deixando a povoação aos cuidados de Tomé da Rocha.

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As margens do Vaza-Barris e do Paramopama passaram a ser intensamente colonizadas. Simão de Andrade foi o primeiro a adquirir terras no interior de São Cristóvão, seguido por Francisco Rodrigues, Gaspar de Souza, entre outros.

INVASÃO HOLANDESA

Em 1607, os holandeses invadiram Sergipe e o principal alvo foi São Cristóvão. Em 30 de março chega à cidade o Exército luso-brasileiro do Conde Bagnuolo. Em São Cristóvão, ele assenta seu quartel-general, até que, se sentindo em desvantagem, abandonou a povoação e foi para a Bahia. Antes de partir, ele executou a tática da ‘terra arrasada’, devastou e ateou fogo no território que estava abandonando, a fim de que as forças inimigas não encontrassem muito o que aproveitar. Em 17 de novembro do mesmo ano as tropas de Maurício de Nassau entraram na cidade, destruindo-a ainda mais.

Lutas violentas se sucederam entre as tropas portuguesas e holandeses, até que os invasores começaram a ser vencidos em 1645, sendo definitivamente expulsos do território sergipano em 1647, ocasião em que a Capitania se reintegrou ao domínio de Portugal. “Convém ressaltar que durante o novo domínio, a Capitania foi marcada por lutas partidárias, desmandos e indisciplinas. Não havia espírito patriótico, mas desavenças entre capitães-mores e a Câmara, como foi o caso de Pestana de Brito, que chefiou uma revolução sufocada pela Bahia”, informa o livro Aspectos Históricos, Artísticos, Culturais e Sociais da Cidade de São Cristóvão, de Ieda Maria Leal Vilela e Maria José Tenório da Silva.

CAPITANIA INDEPENDENTE

Como recompensa dos serviços que os sergipanos prestaram à vitória do partido ruralista contra a causa republicana, almejada pela revolução de Pernambuco, em 1817 a comarca de Sergipe foi elevada à categoria de Capitania Independente, através do decreto de 8 de julho de 1820, o qual rompia todos os laços com a Bahia, sendo nomeado como primeiro governador de Sergipe o brigadeiro Carlos César Burlamarque. Esse governo não teve duração, porque a Bahia enviou tropas a São Cristóvão para depor o governador e o levaram preso para Salvador.

Mesmo antes de o decreto ter entrado em vigor, São Cristóvão sempre se manifestava a favor da independência do Brasil. E quando o general Labatut entrou em Sergipe em outubro de 1822, instalou um governo provisório, independente da Bahia. Em sessão solene, a Câmara de São Cristóvão aclamou d. Pedro I como príncipe regente do Brasil.

“A aclamação e a instalação da Junta Provisória foi o primeiro passo para restabelecer a emancipação e a independência de Sergipe, tornando o Decreto de 8 de julho uma realidade”, informa o livro Aspectos Históricos.

MUDANÇA DA CAPITAL

Em 1855, São Cristóvão deixa de ser a capital de Sergipe, que foi transferida para Aracaju, cidade criada especificamente para esse fim. “Cheia de cicatrizes de suas lutas nos 250 anos de história, a Câmara de São Cristóvão lança um protesto em sessão de 28 de fevereiro de 1855, não sendo, porém, atendida”, diz a Enciclopédia.

A partir de 1910, São Cristóvão ressurge, com suas terras fertilíssimas, a vantajosa posição geográfica da cidade às margens de um rio navegável e os excelentes mananciais de água que circundam. Em dezembro de 1911, instala-se na cidade uma grande fábrica de tecidos. Em 1913, chegam por lá os trilhos da Viação Férrea Federal Leste Brasileiro, ligando São Cristóvão a Aracaju e Salvador. Daí em diante, desenvolve-se o surto industrial no município. Novas fábricas se instalam no interior e na sede, e a povoação cresce

Patrimônio Histórico Nacional

Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1939, São Cristóvão desenvolveu-se segundo o modelo urbano português, em dois planos: cidade alta com sede do poder civil e religioso; e cidade baixa com o porto, fábricas e população de baixa renda.

A maioria dos monumentos de São Cristóvão está concentrada na Praça São Francisco, centro histórico da cidade. Entre as construções destaca-se a Santa Casa da Misericórdia, belo conjunto barroco construído no século XVII; a Igreja e o Convento São Francisco, datam de 1693; o Museu Histórico, instalado no antigo Palácio Provincial, e o dos ex-votos, na Igreja e Convento do Carmo.

Entre as construções que, também, merecem uma visita, estão as igrejas Nossa Senhora da Vitória (matriz) e Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos; o Mosteiro de São Bento e o Convento da Ordem Terceira do Carmo. São importantes, também, os sobrados onde funcionava a antiga cadeia pública; o da Rua das Flores; o da Castro Alves e de Balcão Corrido, com forte influência mourisca, provavelmente do século XIX.

De cidade operária a pólo turístico

José Thiago da Silva Filho (*)

Em 1911, o sancristovense José Siqueira de Meneses (1852-1931) assumiu o Governo do Estado. Sua gestão mostrou-se progressista e arrojada, favorecendo o renascimento econômico de São Cristóvão, através da inauguração da linha férrea Salvador-Propriá (1911), cortando a cidade no sentido sul/norte; além da fundação da fábrica têxtil Sam Christovam Industria S.A. (1912). Esses acontecimentos se completam, pois a grande função da Chemis de Fer (estradas de ferro) era escoar mercadorias para os portos soteropolitanos (Bahia).

A fase industrial da cidade começa, portanto, em 1912. Depois desse ano, muitas famílias chegavam diariamente à ex-capital. Aracaju, apesar de possuir indústrias, estava com o mercado de trabalho saturado, a insalubridade e as péssimas condições de vida grassavam. Tal situação foi retratada pelo romancista Amando Fontes (1899-1967) em Os Corumbas (1933). Por conta das oportunidades de emprego e moradia, uma corrente migratória converge para São Cristóvão. Ainda que houvesse um exército de reserva, este recorria à maré do Paramopama para saciar a fome.

Em São Cristóvão a maré representava ‘mãe generosa’ dos desvalidos, enquanto a fábrica exercia o papel de ‘pai soturno’ dos trabalhadores. Nos braços desses díspares genitores, muitos foram acolhidos. A fábrica oferecia emprego, creche, escola, moradia, assistência médica e odontológica. A cidade operária projetou fatos e grandes vultos da história política sergipana, sem desconsiderar as centenas de trabalhadores anônimos. Dentre os mais conhecidos, pode-se citar nomes como Lourival Baptista, Valter Franco, Manoel Ferreira, Deoclécio Vieira, José Souza e Francisco Gualberto.

Os incentivos federais decorrentes da II Guerra Mundial (1939-1945) provocaram a fundação de outra fábrica têxtil: a Companhia Industrial São Gonçalo S.A., inaugurada em 1945. Não se pode esquecer que a política getulista disseminou o industrialismo como solução dos problemas nacionais. Fábrica era sinônimo de progresso.

Durante quase trinta anos as fábricas, inclusive a beneficiadora de algodão Sergiminas, responderam pela renda da população de São Cristóvão. Nesse período a cultura local viveu os anos de ouro: Cine Fabril, Cine Tryanon, Candango’s Bar, clubes, etc. Da mesma forma floresciam os esportes, times como o Industrial, Operário, Palmeiras e Juvenil revelaram craques.

A Fábrica São Gonçalo faliu em 1969, em seguida a Vila Operária foi abandonada pelos seus moradores. Muitos deixaram a cidade para nunca mais. Já a fábrica Sam Christovam sofreu crise irreversível nos anos 70. Entre 1981/82, os moradores de sua Vila Operária receberam a posse das casas como forma de indenização. O maquinário da ‘fábrica velha’ foi vendido a empresários de Pernambuco e Bahia.

A cidade operária extinguiu-se há duas décadas, com ela veio a falência da Fábrica Sam Christovam Têxtil. Até hoje a população espera uma nova realidade que viabilize emprego e renda. Em artigo de 1979, o escritor sancristovense José do Sacramento descreveu as mazelas da nova ‘cidade dormitório’.

Até hoje, pouco ou nada se fez para reerguê-la. Desde os anos 70, todos os prefeitos tomaram como mote de campanha a exploração do turismo. A quarta cidade mais antiga do Brasil tem potencialidades históricas e paisagísticas indiscutíveis. Todavia, o turismo ainda não ‘decolou’.

Temos certeza que nesta nova fase São Cristóvão será um Pólo Turístico. A população já demonstrou estar ciente disto. Recentes iniciativas da sociedade civil, tais como a reativação da Associação de Cultura Artística de São Cristóvão, a criação da Casa do Folclore ‘Zeca de Norberto’, a implantação de Cursos de Folclore e Agente de Turismo pelo Programa de Capacitação Solidária demonstra o fato. Portanto, falta o empenho dos órgãos federais, estaduais e municipais, responsáveis pelo zelo e restauração do seu patrimônio cultural. Resumindo: falta compromisso e boa vontade. Enquanto isto, a velha capital aguarda.

(*) Presidente da Acasc, formado em História pela UFS e pesquisador da história de São Cristóvão/SE (colaborou José Lúcio Batista Silva).

Filhos Ilustres de São Cristóvão

Eugênio Guimarães Rabelo: jornalista e médico, participou da guerra do Paraguai
Ismael Pereira Leite: escritor, ator e diretor teatral
Ivo do Prado Montes Pires França: General do Exército Militar e escritor. Um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe
Joaquim José de Oliveira: historiador
José da Costa e Silva: poeta
Apulcro Mota: jornalista e político
Antônio Carmelo: historiador e vigário
Frei José de Santa Cecília: Músico que adaptou o Hino de Sergipe. Religioso franciscano, maior orador da província
José Siqueira de Meneses: militar e político, participou da Guerra de Canudos
Joaquim Pereira Lobo: político e militar
Deoclécio Vieira: prefeito operário de São Cristóvão
João Nepomuceno Borges (João Bebe Água): fiscal da Câmara de Vereadores, comerciante. Organizou protesto contra a mudança da capital
Filinto Elysio do Nascimento: jornalista, abolicionista e promotor
José Anunciação Pereira Leite (José Bochecha): músico e maestro
José Joaquim Pereira Lobo: marechal e político
Manoel Armindo Cordeiro Guaraná: historiador
Antônio Mota Rabelo: jornalista e polemista
Francisco Avelino da Cruz: musicista
Maria Paiva Monteiro (d. Marinete): professora aposentada. Contribuiu muito com a educação de crianças da cidade.

Fonte: ‘Aspectos Históricos, Artísticos, Culturais e Sociais da Cidade de São Cristóvão’, de Ieda Maria Leal Vilela e Maria José Tenório da Silva; Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, site da Emsetur e IBGE.



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